Ontem perdi meu celular e junto com ele se foi também minha ansiedade.
O celular é minha principal ferramenta de trabalho e por andarmos assim, sempre tão grudados, ele gera em mim uma ansiedade tamanha. Toca quando eu não espero, assuntos dos quais às vezes não quero tratar. Me constrange ao soar explosivo em meio ao silêncio dos que trabalham concentrados. Me dá todas as direções do dia, recados que anoto para mim mesma, com hora marcada para eu não me esquecer. Ontem, com a cabeça zonza e o corpo maltrapilho de cerveja, nos separamos, eu e meu celular.
Naquele táxi, com sono, fome, sede, procurei por ele em todo canto. Não encontrei. O motorista tentou ligar, nada. Mandar mensagem, deixar recado, atender a chamada... Ele sumiu! Então, bêbada que estava, cheguei em casa e contei tudo ao meu marido. Disse que o meu celular havia se perdido, perdida que estava na noite quente de ontem. Disse que agora estava tudo acabado, porque como faria segunda-feira, quando mais uma semana de trabalho começasse, sem esse maldito?
Não pude mais aguentar. Depois de engolir 3 pedaços de pizza requentados, parti para o conforto dos ignorantes, o sono merecido. Meu amor, que não me olhou direito esta noite, que me encarou como uma trôpega, meu companheiro, chamou o telefone ingrato. E, para surpresa de todos, no outro lado da linha atendeu o motorista do táxi. Disse que o celular caíra em baixo do tapete - vê se pode? Um lugar que realmente - talvez se sóbria - não o acharia. Que mania os desaparecidos têm de ficar embaixo de tapetes, dentro de armários, ou no porta-luvas do carro. Mas meu amor o encontrou pra mim. E com isso encontrei meu amor também.
Perder o celular pode se tornar algo péssimo, mas agora que o sei seguro em algum lugar, nas mãos de um motorista pastor, começo a curtir sua ausência. A ressaca passou.
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2 comentários:
Ressacas... Nada que uns bons copos d'água,por vezes com açúcar, algumas horas de sono e uma bela refeição não curem. Sempre passam!
Ainda mais rápido no colo de um amor presente!
Um fim de semana sem celular? Viva!
Aproveite a libertação dessa neura pós-moderna(não sei mais onde usar ou não o maldito hífen...)
Bjão!
Um dia me larguei do despertador (daqueles que os botões, com o tempo, passam os números em dois) e me agarrei ao celular. Mais uma função delegada ao aparelhozinho, além de agenda, calendário, calculadora, lembrador de coisas e, ah... telefone.
Logo eu, que me debatera tanto, que chamava de coleira eletrÔnica e coisa e tal. Mas num carnaval em 2004... Para estar conectada aos amigos no meio da cerveja e da folia, me converti! E me tornei fiel! Tão absolutamente fiel que já mal gravo os números dos mesmos amigos!!!!
Aí um dia, acordei sozinha na cama e quem estava ao meu lado? O celular! Piando! No bolso da calça? Ele! Perdido na bolsa? O próprio! Hoje, no ponto, com a velhinha de bengala? Absoluto! Com todos e em tudo. Até no cinema, esquecidinho....
Ah, minha querida, que sorte grande você teve! Primeiro, por toda a noite da cerveja, pressumo. Depois, por uma noite livre! E, melhor de tudo: inteirinho na segunda-feira, na mão do taxista!!!
Té! Me liga ou passa uma msg!
Bjs, Th
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