Tem certas palavras que não deveriam ser escritas, certos sentimentos que não devíamos conhecer. Falo isso porque esses dias, ou talvez por toda uma juventude, percebi que, por mais que já esteja segura dessa mulher fêmea, dessa mãe, dessa eu que sou, ainda me pego em ansiedades adolescentes, inseguranças infantis e muitos outros sentimentos que não possuo o menor controle sobre.
A exposição é sempre doar-se um pouquinho, mas eu não sei se conseguirei doar. Não tenho coragem de falar sobre o que vem. As palavras que me sobem a garganta, mas não saem. Um vazio que se faz presente no momento do grito. Tenho sim necessidade de compartilhar, de dizer que não estou conseguindo conviver sozinha com essas palavras ocultas. Mas já não posso mais falar. E quando calo, meu corpo me denuncia. Ainda bem que daqui ninguém me vê! Um olhar pode dizer tudo de você.
Eu tenho essa mania de falar olhando nos olhos do outro. Sabe quando você vai falar com uma pessoa e olha de verdade no olho dela? É raro. Muitas pessoas falam comigo olhando para o lado, para a boca, para outro lugar. Eu me sinto um pouco perdida, porque estou sempre procurando o olhar do outro, e sei que o meu próprio olhar me denuncia. Faça o teste, tente se encarar mais de 10 minutos no espelho. O que você vê? Seu rosto se transforma, o que dizem seus olhos?
Bom, eu fui lá, me encarei de frente e tentei descobrir como eu me entrego pelos olhos. Descobri que posso ser muito estranha, assim de perto, e que meus olhos falam coisas que eu não sei se deviam. Eles têm umas pintas, como de sol. E se permaneço muito tempo lá no espelho me encarando, tenho a sensação de que a qualquer momento a imagem refletida vai se mexer sozinha.
Mas tudo isso é alegoria. O que eu tô querendo expressar aqui nesse texto é algo que eu ainda busco descrição. Eu não me sinto à vontade para falar abertamente disso, mas sei que é meu, e também reconheço no outro. É sobre um sentimento, ou vários misturados, que chegam sem serem convidados. Confundem tudo. E quando vejo volto a ter 14 anos. Angústias para as quais não tenho mais paciência. É uma experiência, algo efêmero, uma pungente sensação. Chega, passa, fica. Tem certos conflitos que são difíceis de encarar. Certezas que se vestem de duvidosas. Fica, passa, chega!
Por mais que eu tente, que eu me esforce, que eu grite ou escreva um post, não sai, não sai daqui de dentro. Eu mesma prendo um pouco. O resto é insegurança, ansiedade. Não, não insistirei mais. Fale você para mim, me diga, solte essa palavra presa na boca, mastigando entre os dentes, engolindo rápido, para disfarçar. Beija essa boca que você olha. Conta, me conta que palavras são essas que eu procuro, compartilha comigo sua dor, suas angústias, suas dúvidas. Faça um comentário, caro leitor (2), e me diga o que é. Por favor, preciso sentir os pés no chão. Me dê a mão!
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3 comentários:
Querida, somos uma contrução feita a partir dos diversos tijolinhos de nossas experiências passadas... Elas ainda estão por aí e fazem parte de você, de mim, do outro.
Esse corpo, que envelhece, de quase trinta, abriga uma adolescente rebelde, uma crianaça birrenta e um bebê chorão. As vezes eles voltam, como que para nos lembrar de alguma coisa que talvez não tenha ficado bem entendida ou da qual esquecemos, sufocada entre tantos afazeres cotidianos dessa vida pós moderna.
Compartilho de suas angústias e posso compreendê-las quase como se fossem as minhas próprias.
Lembre-se sempre, você não está só!
Te amo!
linda!
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