Ela tinha esse dom de observar o mundo como uma câmera de filmar.
gostava de ficar horas a fio prestando atenção numa mesma cena.
enquanto reparava no movimento externo, percebia que internamente também havia uma trasnformação e gostava disso.
se olhando por dentro, parecia aceitar melhor a vida como vem.
passara anos sem pedir muito, apenas tentando se expressar, criando vínculos.
mas com o passar do tempo, suas vontades e desejos foram se modificando,
e, onde antes havia um abraço sempre pronto,
começou a nascer uma exigência.
sua pele, seu corpo, as marcas em seu rosto,
tudo estava mudando, mexendo, comunicando.
ela se olhava no espelho agora e se sentia mais mulher,
mais segura de sua existência.
talvez fosse o tempo que tivesse passado.
talvez fosse alguma outra explicação exotérica.
o fato é que ela ficara mais ela.
no meio de tanto turbilhão, tantas transformações,
sentimentos novos também apareceram.
ou, na verdade talvez, ela estivesse percebendo sentimentos antigos,
que viviam adormecidos,
mas que agora tinham novas tonalidades.
se sentiu triste pelos sentimentos que não dava conta de resolver sozinha.
vivia repetindo para si mesma que precisava fazer terapia.
mas para outros sentimentos, abria um sorriso.
era como se, no desabrochar de sua maturidade,
uma ponta de esperança e otimismo cismasse em se apresentar.
se lembrou de seu amor antigo.
em que gaveta desse imenso móvel cotidiano ela teria deixado ele?
antes, sabia que vivia pela casa,
no sofá, na cama, em cima da mesa.
mas quando olhou melhor,
percebeu que eram apenas objetos,
o conteúdo afetivo tinha perdido o brilho e a cor,
em meio a tanta burocracia da vida moderna.
seu amor não tem nome,
é dela.
mas tem sim uma forma.
será que é possível restaurá-lo?
enquanto os dias passavam,
ela tentava de todas as formas chamar atenção.
chorava como criança,
ou ligava infinitas vezes,
para ter certeza que do outro lado diriam: oi meu amor.
ela precisava confirmar que ainda havia amor entre eles.
mas ela ainda guardava aquela confiança de sempre.
mesmo em noites quentes,
tomada pela insônia inesperada,
ela sabia que estava sendo cuidada.
Por agora, era só isso de que precisava.
29 setembro 2009
dos dias de chuva.
hoje é um daqueles dias que o melhor teria sido ficar na cama. Na verdade, a cama me explusou logo cedo, ou seja, nem com ela pude contar. Depois de uma entrevista de mestrado, a cabeça cheia de informações, o corpo ansioso, não pude dormir direito. E isso acaba com o meu dia. Além de tudo, as coisas seguiram dando errado. Chego no escritório cedo, mas o cumputador sumiu. Ocupo o espaço numa mesa, mas tenho que me realocar. Precisava ir para Tijuca, mas a chuva, a indisponibilidade das pessoas e a minha própria, me fizeram tomar novo rumo. Minha casa. Aqui estou, meio perdida nessa nova etapa. O que tenho para fazer afinal?
Vou curtir o tempo que me parece favorável. Dormir, se assim meu corpo permitir. Ouvir a chuva, assistir um filme. Sei lá, qualquer coisa que mude o rumo do dia. Agora tudo começará a dar certo outra vez.
Vou curtir o tempo que me parece favorável. Dormir, se assim meu corpo permitir. Ouvir a chuva, assistir um filme. Sei lá, qualquer coisa que mude o rumo do dia. Agora tudo começará a dar certo outra vez.
24 setembro 2009
For no one
your day breaks
your mind aches
you find that all her words of kindness linger on when she no longer needs you
she wakes up
she makes up
she takes her time and doesn't feel she has to hurry
she no longer needs you
And in her eyes you see nothing
no sign of love behind the tears cried for no one
a love that should have lasted years
you want her
you need her
and yet you don't believe her when she says
her love is dead
you think she needs you
And in her eyes you see nothing
no sign of love behind the tears cried for no one
a love that should have lasted years
you stay home
she goes out
she says that long ago she knew someone
but now he's gone
she doesn't need him
your day breaks
your mind aches
there will be times when all the things she said
will fill your head
you won't forget her
but in her eyes you see nothing
no sign of love behind the tears
cried for no one
a love that should have lasted years
(for no one - beatles)
your mind aches
you find that all her words of kindness linger on when she no longer needs you
she wakes up
she makes up
she takes her time and doesn't feel she has to hurry
she no longer needs you
And in her eyes you see nothing
no sign of love behind the tears cried for no one
a love that should have lasted years
you want her
you need her
and yet you don't believe her when she says
her love is dead
you think she needs you
And in her eyes you see nothing
no sign of love behind the tears cried for no one
a love that should have lasted years
you stay home
she goes out
she says that long ago she knew someone
but now he's gone
she doesn't need him
your day breaks
your mind aches
there will be times when all the things she said
will fill your head
you won't forget her
but in her eyes you see nothing
no sign of love behind the tears
cried for no one
a love that should have lasted years
(for no one - beatles)
18 setembro 2009
toda bêbada canta
Olha o que o Rapha, my love, colocou para eu escutar, depois da ressaca do celular. (o que ele pensa de mim? heheheheheh)
Cheguei em casa, toda descabelada,
completamente arrependida do que aconteceu.
Tomei cachaça e fumei como Maria Fumaça,
completamente arrependida do que aconteceu.
Não teve a menor graça,
tudo isso eu sei que passa,
mas não passou!
Eu não sou nenhuma santa,
eu não sou nenhuma santa... (repete)
Toda bêbada canta...
(Silvia Machete)
Cheguei em casa, toda descabelada,
completamente arrependida do que aconteceu.
Tomei cachaça e fumei como Maria Fumaça,
completamente arrependida do que aconteceu.
Não teve a menor graça,
tudo isso eu sei que passa,
mas não passou!
Eu não sou nenhuma santa,
eu não sou nenhuma santa... (repete)
Toda bêbada canta...
(Silvia Machete)
13 setembro 2009
A ressaca do celular
Ontem perdi meu celular e junto com ele se foi também minha ansiedade.
O celular é minha principal ferramenta de trabalho e por andarmos assim, sempre tão grudados, ele gera em mim uma ansiedade tamanha. Toca quando eu não espero, assuntos dos quais às vezes não quero tratar. Me constrange ao soar explosivo em meio ao silêncio dos que trabalham concentrados. Me dá todas as direções do dia, recados que anoto para mim mesma, com hora marcada para eu não me esquecer. Ontem, com a cabeça zonza e o corpo maltrapilho de cerveja, nos separamos, eu e meu celular.
Naquele táxi, com sono, fome, sede, procurei por ele em todo canto. Não encontrei. O motorista tentou ligar, nada. Mandar mensagem, deixar recado, atender a chamada... Ele sumiu! Então, bêbada que estava, cheguei em casa e contei tudo ao meu marido. Disse que o meu celular havia se perdido, perdida que estava na noite quente de ontem. Disse que agora estava tudo acabado, porque como faria segunda-feira, quando mais uma semana de trabalho começasse, sem esse maldito?
Não pude mais aguentar. Depois de engolir 3 pedaços de pizza requentados, parti para o conforto dos ignorantes, o sono merecido. Meu amor, que não me olhou direito esta noite, que me encarou como uma trôpega, meu companheiro, chamou o telefone ingrato. E, para surpresa de todos, no outro lado da linha atendeu o motorista do táxi. Disse que o celular caíra em baixo do tapete - vê se pode? Um lugar que realmente - talvez se sóbria - não o acharia. Que mania os desaparecidos têm de ficar embaixo de tapetes, dentro de armários, ou no porta-luvas do carro. Mas meu amor o encontrou pra mim. E com isso encontrei meu amor também.
Perder o celular pode se tornar algo péssimo, mas agora que o sei seguro em algum lugar, nas mãos de um motorista pastor, começo a curtir sua ausência. A ressaca passou.
O celular é minha principal ferramenta de trabalho e por andarmos assim, sempre tão grudados, ele gera em mim uma ansiedade tamanha. Toca quando eu não espero, assuntos dos quais às vezes não quero tratar. Me constrange ao soar explosivo em meio ao silêncio dos que trabalham concentrados. Me dá todas as direções do dia, recados que anoto para mim mesma, com hora marcada para eu não me esquecer. Ontem, com a cabeça zonza e o corpo maltrapilho de cerveja, nos separamos, eu e meu celular.
Naquele táxi, com sono, fome, sede, procurei por ele em todo canto. Não encontrei. O motorista tentou ligar, nada. Mandar mensagem, deixar recado, atender a chamada... Ele sumiu! Então, bêbada que estava, cheguei em casa e contei tudo ao meu marido. Disse que o meu celular havia se perdido, perdida que estava na noite quente de ontem. Disse que agora estava tudo acabado, porque como faria segunda-feira, quando mais uma semana de trabalho começasse, sem esse maldito?
Não pude mais aguentar. Depois de engolir 3 pedaços de pizza requentados, parti para o conforto dos ignorantes, o sono merecido. Meu amor, que não me olhou direito esta noite, que me encarou como uma trôpega, meu companheiro, chamou o telefone ingrato. E, para surpresa de todos, no outro lado da linha atendeu o motorista do táxi. Disse que o celular caíra em baixo do tapete - vê se pode? Um lugar que realmente - talvez se sóbria - não o acharia. Que mania os desaparecidos têm de ficar embaixo de tapetes, dentro de armários, ou no porta-luvas do carro. Mas meu amor o encontrou pra mim. E com isso encontrei meu amor também.
Perder o celular pode se tornar algo péssimo, mas agora que o sei seguro em algum lugar, nas mãos de um motorista pastor, começo a curtir sua ausência. A ressaca passou.
04 setembro 2009
Dessas coisas
Tem certas palavras que não deveriam ser escritas, certos sentimentos que não devíamos conhecer. Falo isso porque esses dias, ou talvez por toda uma juventude, percebi que, por mais que já esteja segura dessa mulher fêmea, dessa mãe, dessa eu que sou, ainda me pego em ansiedades adolescentes, inseguranças infantis e muitos outros sentimentos que não possuo o menor controle sobre.
A exposição é sempre doar-se um pouquinho, mas eu não sei se conseguirei doar. Não tenho coragem de falar sobre o que vem. As palavras que me sobem a garganta, mas não saem. Um vazio que se faz presente no momento do grito. Tenho sim necessidade de compartilhar, de dizer que não estou conseguindo conviver sozinha com essas palavras ocultas. Mas já não posso mais falar. E quando calo, meu corpo me denuncia. Ainda bem que daqui ninguém me vê! Um olhar pode dizer tudo de você.
Eu tenho essa mania de falar olhando nos olhos do outro. Sabe quando você vai falar com uma pessoa e olha de verdade no olho dela? É raro. Muitas pessoas falam comigo olhando para o lado, para a boca, para outro lugar. Eu me sinto um pouco perdida, porque estou sempre procurando o olhar do outro, e sei que o meu próprio olhar me denuncia. Faça o teste, tente se encarar mais de 10 minutos no espelho. O que você vê? Seu rosto se transforma, o que dizem seus olhos?
Bom, eu fui lá, me encarei de frente e tentei descobrir como eu me entrego pelos olhos. Descobri que posso ser muito estranha, assim de perto, e que meus olhos falam coisas que eu não sei se deviam. Eles têm umas pintas, como de sol. E se permaneço muito tempo lá no espelho me encarando, tenho a sensação de que a qualquer momento a imagem refletida vai se mexer sozinha.
Mas tudo isso é alegoria. O que eu tô querendo expressar aqui nesse texto é algo que eu ainda busco descrição. Eu não me sinto à vontade para falar abertamente disso, mas sei que é meu, e também reconheço no outro. É sobre um sentimento, ou vários misturados, que chegam sem serem convidados. Confundem tudo. E quando vejo volto a ter 14 anos. Angústias para as quais não tenho mais paciência. É uma experiência, algo efêmero, uma pungente sensação. Chega, passa, fica. Tem certos conflitos que são difíceis de encarar. Certezas que se vestem de duvidosas. Fica, passa, chega!
Por mais que eu tente, que eu me esforce, que eu grite ou escreva um post, não sai, não sai daqui de dentro. Eu mesma prendo um pouco. O resto é insegurança, ansiedade. Não, não insistirei mais. Fale você para mim, me diga, solte essa palavra presa na boca, mastigando entre os dentes, engolindo rápido, para disfarçar. Beija essa boca que você olha. Conta, me conta que palavras são essas que eu procuro, compartilha comigo sua dor, suas angústias, suas dúvidas. Faça um comentário, caro leitor (2), e me diga o que é. Por favor, preciso sentir os pés no chão. Me dê a mão!
A exposição é sempre doar-se um pouquinho, mas eu não sei se conseguirei doar. Não tenho coragem de falar sobre o que vem. As palavras que me sobem a garganta, mas não saem. Um vazio que se faz presente no momento do grito. Tenho sim necessidade de compartilhar, de dizer que não estou conseguindo conviver sozinha com essas palavras ocultas. Mas já não posso mais falar. E quando calo, meu corpo me denuncia. Ainda bem que daqui ninguém me vê! Um olhar pode dizer tudo de você.
Eu tenho essa mania de falar olhando nos olhos do outro. Sabe quando você vai falar com uma pessoa e olha de verdade no olho dela? É raro. Muitas pessoas falam comigo olhando para o lado, para a boca, para outro lugar. Eu me sinto um pouco perdida, porque estou sempre procurando o olhar do outro, e sei que o meu próprio olhar me denuncia. Faça o teste, tente se encarar mais de 10 minutos no espelho. O que você vê? Seu rosto se transforma, o que dizem seus olhos?
Bom, eu fui lá, me encarei de frente e tentei descobrir como eu me entrego pelos olhos. Descobri que posso ser muito estranha, assim de perto, e que meus olhos falam coisas que eu não sei se deviam. Eles têm umas pintas, como de sol. E se permaneço muito tempo lá no espelho me encarando, tenho a sensação de que a qualquer momento a imagem refletida vai se mexer sozinha.
Mas tudo isso é alegoria. O que eu tô querendo expressar aqui nesse texto é algo que eu ainda busco descrição. Eu não me sinto à vontade para falar abertamente disso, mas sei que é meu, e também reconheço no outro. É sobre um sentimento, ou vários misturados, que chegam sem serem convidados. Confundem tudo. E quando vejo volto a ter 14 anos. Angústias para as quais não tenho mais paciência. É uma experiência, algo efêmero, uma pungente sensação. Chega, passa, fica. Tem certos conflitos que são difíceis de encarar. Certezas que se vestem de duvidosas. Fica, passa, chega!
Por mais que eu tente, que eu me esforce, que eu grite ou escreva um post, não sai, não sai daqui de dentro. Eu mesma prendo um pouco. O resto é insegurança, ansiedade. Não, não insistirei mais. Fale você para mim, me diga, solte essa palavra presa na boca, mastigando entre os dentes, engolindo rápido, para disfarçar. Beija essa boca que você olha. Conta, me conta que palavras são essas que eu procuro, compartilha comigo sua dor, suas angústias, suas dúvidas. Faça um comentário, caro leitor (2), e me diga o que é. Por favor, preciso sentir os pés no chão. Me dê a mão!
31 agosto 2009
artista...
Gente, não posso deixar de observar, eu que estou aqui numa segunda-feira, prestes a fazer minha inscrição no mestrado da uerj, me pretendendo como comunicóloga-bailarina, que essa cena de dança contemporânea está mesmo a se envergonhar. Diante de uma notícia com o resultado do projeto Rumos Itaú Cultural, 35 comentários, entre eles, vários ofensivos, ressentidos, mimados. Claro que nenhum provável leitor que por aqui passe se interessa em dança contemporânea, ou em seus desdobramentos. Mas vale mandar o link, para quem tiver interesse. O desfecho é o melhor, um vídeo da Garota da Laje puta porque não ganhou. hehhehehe.
É gente, tem horas que:
artista é o caralho!
matéria idança
saudações!
É gente, tem horas que:
artista é o caralho!
matéria idança
saudações!
24 agosto 2009
Aos trinta
Então ontem eu pensei, conversando com essa minha amiga, enquanto passava em cima de uma larga poça com um caminhão que parece de brinquedo, que essas coisas de mulheres só têm a melhorar. Deixa eu me explicar: como dizia Elis Regina, "hoje de manhã quando acordei, olhei a vida e me toquei, eu tenho mais de vinte anos."
E não poderia ser melhor, já que descobri em conversas paralelas que esse negócio de maturidade feminina é um mistério para o bem. Sim, descobri com as coroas - me permitam assim vos chamar, com todo respeito - que bom mesmo é a idade da loba. Como falta um tanto para os quarenta, me apresso em comemorar os quase trinta.
É porque esse negócio de não ter mais vinte anos, passados há muito, mas de ainda não ter trinta, fica uma tal de ansiedade, sabe? É nêgo dizendo que a culpa é do retorno de saturno - que confunde tudo, te lança provas, te faz se reencontrar com os medos e desafios de sua remota infância. É uma tal de preocupação com ruga, e passa creme, e compra lengerie, e cuida com a gravidade.
Sabe, minha amiga Érika, palhaça com toda categoria, é que está certa: e salve o soutien de bojo!
Mas considerações à parte sobre o universo neurotizante dos corpos superproduzidos, fico eu aqui com essa marca de expressão no canto da boca. As mulheres de trinta são tão sensuais, tão seguras, tão donas de si. E o sexo? Nossa, não existe coisa melhor do que ter sexo aos trinta. E foi assim que tudo começou...
Eu, cá em meus vinte e sete e meio, cheguei a uma conclusão: quero ter trinta anos! Todo mundo quer fugir disso, mas eu não, eu tenho certeza que quando tiver trinta anos serei mais segura e muito menos ansiosa. Ah, e que a vida sexual será como nunca, cheia de autoconfiança! Nunca mais terei eu medo, depois dos trinta, nem baixa autoestima, nem dúvidas.
Não vou ficar pensando se o que eu falei ontem para aquela mulher do trabalho pegou mal, se minha tpm explodiu em cima do chefe, se devo ser mais arrogante para me respeitarem. Não vou mais cair em trelelé de artista, em blablablá de telefonista e vou subir as escadas do metrô com a postura ereta. Vou usar salto, fazer a unha e vestir um tubinho elegante. Vou ter o cabelo moderno e tomar cerveja em buteco.Tudo isso quando eu tiver trinta anos.
Enquanto os trinta não chegam já começo a me preparar. Vivo intensamente as histórias que ouço, quanta liberdade há nas mulheres de trinta! Elas fazem o que querem e não tem essa de culpa. Essas coisas mentais, essa reflexão sem fim, a auto-punição dos que pensam, nada disso eu escuto nas trinta. Elas falam de trabalho, de dinheiro, de amor e de prazer, mas tem um outro gosto.
Porque o que parece de fato, e um dia vou comprovar, que as de trinta já se conhecem tanto, já se depararam por demais com dores remastigadas, que agora já tiram de letra as amarguras dessa vida. E isso não quer dizer que não choram, minhas heroínas trintagenárias. É que quando querem, choram mesmo. Por isso mulheres, eu descobri, envelhecer traz rugas, mas traz muito mais que isso. E viva o soutien de bojo!
E não poderia ser melhor, já que descobri em conversas paralelas que esse negócio de maturidade feminina é um mistério para o bem. Sim, descobri com as coroas - me permitam assim vos chamar, com todo respeito - que bom mesmo é a idade da loba. Como falta um tanto para os quarenta, me apresso em comemorar os quase trinta.
É porque esse negócio de não ter mais vinte anos, passados há muito, mas de ainda não ter trinta, fica uma tal de ansiedade, sabe? É nêgo dizendo que a culpa é do retorno de saturno - que confunde tudo, te lança provas, te faz se reencontrar com os medos e desafios de sua remota infância. É uma tal de preocupação com ruga, e passa creme, e compra lengerie, e cuida com a gravidade.
Sabe, minha amiga Érika, palhaça com toda categoria, é que está certa: e salve o soutien de bojo!
Mas considerações à parte sobre o universo neurotizante dos corpos superproduzidos, fico eu aqui com essa marca de expressão no canto da boca. As mulheres de trinta são tão sensuais, tão seguras, tão donas de si. E o sexo? Nossa, não existe coisa melhor do que ter sexo aos trinta. E foi assim que tudo começou...
Eu, cá em meus vinte e sete e meio, cheguei a uma conclusão: quero ter trinta anos! Todo mundo quer fugir disso, mas eu não, eu tenho certeza que quando tiver trinta anos serei mais segura e muito menos ansiosa. Ah, e que a vida sexual será como nunca, cheia de autoconfiança! Nunca mais terei eu medo, depois dos trinta, nem baixa autoestima, nem dúvidas.
Não vou ficar pensando se o que eu falei ontem para aquela mulher do trabalho pegou mal, se minha tpm explodiu em cima do chefe, se devo ser mais arrogante para me respeitarem. Não vou mais cair em trelelé de artista, em blablablá de telefonista e vou subir as escadas do metrô com a postura ereta. Vou usar salto, fazer a unha e vestir um tubinho elegante. Vou ter o cabelo moderno e tomar cerveja em buteco.Tudo isso quando eu tiver trinta anos.
Enquanto os trinta não chegam já começo a me preparar. Vivo intensamente as histórias que ouço, quanta liberdade há nas mulheres de trinta! Elas fazem o que querem e não tem essa de culpa. Essas coisas mentais, essa reflexão sem fim, a auto-punição dos que pensam, nada disso eu escuto nas trinta. Elas falam de trabalho, de dinheiro, de amor e de prazer, mas tem um outro gosto.
Porque o que parece de fato, e um dia vou comprovar, que as de trinta já se conhecem tanto, já se depararam por demais com dores remastigadas, que agora já tiram de letra as amarguras dessa vida. E isso não quer dizer que não choram, minhas heroínas trintagenárias. É que quando querem, choram mesmo. Por isso mulheres, eu descobri, envelhecer traz rugas, mas traz muito mais que isso. E viva o soutien de bojo!
Me rendo
Fui denunciada num comentário. E eu que achei que ficaria impune, acomodada ao sofá, como já dizia meu compadre, fingindo de longe que não conheço meu próprio nome no html dessa escrita cotidiana. Mas pensando bem, e com algum receio, darei continuidade a esse projeto. Sim, escreverei meus podres desafetos, meu triunfo como palhaça, meu eterno indagar-se. Me entrego agora ao ilimite do virtual. Sou eu, um pouco mais exposta, ainda eu, ainda aqui, ainda nesse corpo-palavra-movimento. Tentando aos poucos ser um pouquinho mais hoje que ontem. Ah, mas depois eu falo sobre isso. Kamala já sabe o assunto, depois dos trinta, espere o próximo post!
09 julho 2009
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